Coisas de Criança

Coisas de Criança é...Brincar

Coisas de Criança é...Brincar
Contos, poesias,brincadeiras tradicionais, cantos e cantigas de roda, para gente miúda e graúda, desde que deixe a criança que existe em você se soltar.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A borboleta apressada



Morava numa floresta grande, uma borboleta azul muito linda.
Seu corpinho era todo azul e em suas asinhas haviam uns pontinhos pretos.
Era especial e sabia muito bem disso.
Toda vez que passava voando, outras borboletas paravam para vê-la. Sentia-se muito importante sendo portadora de tanta beleza.
Porém como ninguém é perfeito, a borboleta azul era muito muito apressada.
Estava sempre voando de um lado para outro, mesmo que fosse sem ter o que fazer.
Seus amigos diziam para ela ter mais cuidado, porém era mesmo uma apressada.
Certo dia resolveu voar para mais longe.
Ah, dizia:
-Estou cansada de ficar só nesta floresta.
Pensou assim e partiu em direção a cidade.
Chegando lá, viu uma enorme casa toda iluminada.
Não conhecia nada, pois nunca havia visto uma casa.
Imediatamente foi atraída pelas luzes das vidraças.
Lá foi ela em direção à janela que não estava aberta, era uma grande vidraça.
Pum... Bateu com o corpinho inteiro na janela!
Suas asinhas ficaram grudadas e ela não conseguia sair!
Meu Deus que fazer, pensava a borboleta azul.
Foi quando resolveu respirar devagar e prestar atenção para ver o que faria.
Não fique assustada pensava.
Olhando para dentro da casa viu um grupo de crianças sentadas no chão, num imenso tapete redondo.
Ora, que estariam fazendo?
Brincando naturalmente.
Foi quando um dos meninos levantou-se e saiu correndo na sala.
Não corra disse uma senhora que estava sentada lá também.
Não deu tempo o menino espatifou-se no chão igualzinha a borboleta na vidraça...
A pressa, o que é a pressa?
Dizia a senhora atendendo o menino.
Você tem que aprender a fazer as coisas mais devagar, não há necessidade de sair correndo, de chegar primeiro de falar antes...
Tudo isto é pressa demais!.
Às vezes sei que precisamos nos apressar, mas não é sempre.
Limpou o raspão do joelho do menino que voltou a sentar com os colegas bem mais calmos agora.
E eu pensava a borboleta que faço?
Quem me ajuda?
Foi quando pensou em ficar quietinha e ai então as asinhas começaram a se soltar do vidro.
Assim mesmo esperou mais um pouco até que percebeu que podia se mexer por inteira.
Saiu voando rapidinho para a floresta e acho que a lição valeu, tanto para ela como para o menino.
É dizia minha vovó, quem tem pressa, perde a testa!
Gostaram da historinha?
Não precisa responder, não tem pressa!
                                                  Marlene B. Cerviglieri

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sonha Isadora



Sonha Isadora que a vida
Apressada passa lá fora,
A infância não será esquecida
Menina, tu és o raiar d’aurora!

Vestido branco de pano leve
Parece uma garça que vôo alça,
Com o dedinho da mão escreve
O nome da mãe na vidraça. 

Apertando a boneca ao peito
Com ela se põe a tagarelar,
Arruma o cabelo desfeito
Do brinquedo que finge chorar.

Traz no pescoço um pendente
Parecido com lágrima que desce,
Para o espelho ela vai lentamente,
Sorri para a imagem que aparece.

Desenha bichos e flores irisadas,
Camelos no deserto ambulantes,
Estrelas do mar peroladas,
E castelos onde moram gigantes.

Se o céu amanhece cinzento,
Lá vem ela com uma história:
“esconde-se o sol nas asas do vento,
Encontrá-lo é a nossa vitória...”

Sonha Isadora que o tempo passa,
A infância é o teu momento de glória.
Sonha com o gênio saindo da fumaça,
Príncipes e princesas do livro de história.

Sonha Isadora, Sonha!

(Autora> Maria Hilda J Alão)

domingo, 9 de dezembro de 2012

Noite Azul(cantiga de natal)


                                                             Noite azul

Sem igual
Deus nos deu
Um Feliz Natal,
Nosso lar está cheio de luz,
Paz na Terra nasceu Jesus!
Toco o sino de Natal
Lá na catedral
                                                Nosso lar que meu amor
                                               Vou pedir ao senhor!
 
                                                          Dora Duarte

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Leilão de Jardim(série grandes poetas brasileiros)





                                                                  Leilão de Jardim



Quem me compra um jardim
com flores?

borboletas de muitas cores,

lavadeiras e passarinhos,

ovos verdes e azuis

nos ninhos?




Quem me compra este caracol?


Quem me compra um raio de sol?

Um lagarto entre o muro e a hera,

uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?

E este sapo, que é jardineiro?


E a cigarra e a sua canção?

E o grilinho dentro do chão?

(Este é meu leilão!)
Cecília Meireles

domingo, 18 de novembro de 2012

As Borboletas (série:grande poetas brasileiros)


As borboletas


Brancas
Azuis,amarelas

E pretas Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!


 

Vinicios de Moraes, poeta,compositor, intérprete:nasceu em 19/10/1913 na Gávea Rio de Janeiro.Compôs a famosa música “Garota de Ipanema. Faleceu em 09/07/1980.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A lingua do nhem, nhen. nhen( série :grandes poetas brasileiros


                                                         Cecília Meireles

A Língua de Nhem
 

Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.

E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também

a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,

e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,

ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem


Celília Meireles, nasceu em 07 de novembro de 1901,
na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi poetisa, professora e jornalista.Faleceu em 09 de novembro de 1964

domingo, 4 de novembro de 2012

Bola de gude(série: grandes poetas brasileiros)


 

 

Bola de gude


A maior bola do mundo
é de fogo e se chama sol.
A bola mais conhecida
é a de jogar futebol.
Certa bola colorida
jogar bem eu nunca pude
é de vidro essa bandida
e chama-se bola de gude.


 
   Autor: Ricardo Azevedo, paulista, nasceu em 1949...È escritor   e ilustrador, autor de mais de 100 livros para criança e adolescente.
 

domingo, 28 de outubro de 2012

O sabão (série grandes poetas brasileiros)


O SABÃO



Azeite e água brigaram

Certa vez numa vasilha,

Vai tapona, vem tabefe,

Luta velha ali fervilha.

Eis então, a apaziguá-los,

A potassa se apressou,

Todos três se combinaram

E o sabão daí datou.
 

Monteiro Lobato:
nasceu em Taubaté, SP em 1882 e faleceu em 1948.
Considerado o pai da literatura infantil brasileira.

sábado, 20 de outubro de 2012

A boneca (série grandes poetas brasileiros)





A Boneca

Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.
 

Dizia a primeira: "É minha!"
— "É minha!" a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largavam
.

Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.

Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.









E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca ...

 
 
Olavo Bilac
nasceu  no Rio de Janeiro no dia 16 de dezembro de 1885 e faleceu dia 28 de dezembro 1918.
Grande jornalista brasileiro, escreveu a letra do hino da bandeira.

 

domingo, 14 de outubro de 2012

Meus oito anos(Série: grandes poetas brasileiros)



                            Meus oito anos

Oh que saudade que eu tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

A sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias

Do despontar da existência!

Respira a alma inocência

Como o perfume da flor:

O mar é  lago sereno,

O céu Um manto azulado,

O mundo um sonho dourado,

A vida um hino de amor!

Que auroras, que sol, que vida,

Que noite de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar,

O céu bordado de estrelas

A terra de aromas cheia,

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!

Oh ! Dias da minha infância!

Oh meu céu de primavera!

Que doce a vida era

Nessa risonha manhã!

Em vez de mágoas de agora,

Eu tinha nessas delícias

Da minha mãe as carícias

E beijos da minha irmã!

 

Livre filho das montanhas

Eu ia bem satisfeito,

De camisa aberta ao peito,

Pés descalços, braços nus

Correndo pelas campinas

À roda das cachoeiras,

Atrás das asas ligeiras

Das borboletas azuis!

 Naqueles tempos ditosos

Ia colher as pitangas,

Trepava a tirar as mangas

Brincava à beira do mar:

Rezava às Ave-Marias,

Achava o céu sempre lindo,

Adormecia sorrindo

E despertava a cantar!

Oh que saudades  que eu tenho...

Cassimiro de Abreu, nasceu em Barra de S. João, RJ, em1839 e faleceu em 1860.

 

 

 
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